(Mú como eu)
Um homem magro passa
a enorme carroça atrelada,
animal de carga, um mú
sobe, inclinado e triste.
Assalta-me o coração um desejo
irreprimível, de empurrar, ajudá-lo a vencer a rampa.
Olho ao meu redor e estou só
o esforço do homem a ninguém ofende,
sinto-me sozinho, camusiano
na minha paixão pelo macho.
Sou feito da matéria do mundo,
mas estou mais perto do que puxad do que dos que chupam.
Sou feito da matéria do mundo
ou sou dum material diferente
dos que sentados a meu lado
sorvem os mesmos sucos finos?
Belo Horizonte, 10 de Março de 2012

