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| Foto de mau gosto… Azar, o blog é meu! |
Não dou para o peditório dos relativismos, mesmo se muitas vezes concedo nas tautologias discursivas do “a maioria”, ou do “em geral”, só para não ter de aturar essa gente que se julga superior a mim porque me chama à atenção para que “não se pode generalizar” como se eu fosse um ignorante – sou, mas não tanto – quando digo que os cágados nascem com 4 patas, certamente devo ignorar que alguns nascem só com 3 patas e outros com 5; ou quando digo que os seres humanos têm 46 cromossomas devo ignorar que uma percentagem importante dos seres humanos têm trissomia 21 e por isso têm 47 cromossomas. Em geral o não-podes-generalizador refuta assim a afirmação do interlocutor e afivela no rosto uma expressão triunfal, qual matador na arena diante do touro ensanguentado a seus pés, pronto a cortar uma orelha da besta atávica sob o aplauso geral. É lindo!
Deixando de lado esses relativismos de pacotilha, a pergunta que importa fazer é se este preconceito dos “homens violadores” tem, ou não tem, pernas para andar. Durante muito tempo achei que sim, hoje acho que não. E a chave está na incompreensão das fantasias sexuais na economia de Onã.
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| A sorte de Onã é que Deus é bondoso e, por isso, apenas o condenou eternamente ao fogo do Inferno por ejacular fora da cunhada. in The Book of Genesis Illustrated |
Para rebater a tese do interlocutor comparei duas realidades que conheço mal: em Portugal há poucas violações, como Deus manda violar* uma mulher; na Índia há muitas violações como deve de ser*. Não me ocorreu nada melhor perante o horror de tal afirmação que vejo como típica da misandria feminista – apoiadas no Freud que lhes convém.
Tenho por hábito perguntar às minhas amantes ou amigas (se puder chegar a esse nível de confiança) o seu passado de abuso sexual. Das centenas de conversas registo duas violadas, basicamente com o mesmo padrão – discrição, agressão, ameaça com arma, cópula desajeitada e resolução – e muitas dezenas (a maioria dos relatos) de abusos sexuais por pessoas próximas – quase sempre um dos primeiros namorados. Violações como Deus manda*, apenas duas, menos de 1%.
Seria o mesmo que dizer que os ciganos são ladrões e apenas 5% dos ciganos alguma vez roubou na vida.
Ou que os homens gostam de assassinar pessoas e apenas 5% alguma vez o fez. E por aí fora…
Só quem nunca violou ninguém pode imaginar que um homem de mãos nuas consegue imobilizar uma mulher adulta e ao mesmo tempo penetrá-la em condições – há uma cena no final do filme “Robin Hood” de 1991 em que o mau – Sheriff George of Nottingham – nem sequer consegue concentrar-se para copular com a boazinha – Marian Dubois – com quem acabou de casar, por causa do barulho das pancadas – not again! – na porta (ver aqui)!


