Somos escravos da necessidade, sei-o bem. A reprodução é rainha nos tempos da juventude e a busca do melhor macho reprodutor não se limitou à floresta, veio até à cidade. Mas quem não tem os atributos certos por que haveria de aceitar essa condição passivamente? Não depositemos portanto nenhum juízo moral sobre estas duas faces da mesma moeda: a prostituição socialmente aceite e a manha dos homens… A Natureza não é moral.
A nobre arte de enganar mulheres que prometem copular em troca de algo mais do que a simples cópula, tem nome em Buenos Aires, chama-se “El arte del chamuyo“, uma velha palavra de origem castelhana: chamullo, “Palabrería que tiene el propósito de impresionar o convencer“. Buenos Aires? Sim, pensem no que é o tango, no seu ritual, no seu propósito e imaginem uma cultura de homens ensinados desde tenra idade que las minas têm de ser enganadas e levadas ao castigo com arte e manha. Ao pé de um porteño todos somos uns amadores, sobretudo os brasileiros, esse desastre na arte de seduzir.

(*) A prostituição tem muitas formas e feitios e uma mulher saudável prostituiu-se, prostitui-se ou vai prostituir-se alguma vez. Não vale a pena fazermos um escândalo por tão pouco. A mais velha profissão do mundo não é a prostituição porque a prostituição é mais velha do que o mundo. Um chimpanzé do topo da hierarquia, se encontra uma iguaria tem sempre duas escolhas: comê-la ou dá-la a uma fêmea em troca de sexo. As fêmeas primatas usam o sexo para fazer alianças, obter proteção, conseguir alimento, alcançar poder, etc… . Como dizia o meu velho pai, quem tem uma cona tem uma quinta, quem tem uma picha não tem um caralho.

